O ano de 2010 já começou muito bem para os fãs de metal do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. No dia 14 de janeiro, São José dos Campos foi invadida pela onda death metal da turnê Masters of Hate, que trouxe ao Brasil as bandas Master, dos Estados Unidos, e os jovens ingleses do After Death, além dos brasileiros da Predator, de Caxias do Sul.
A tour, organizada pela gravadora Death Toll Records, teve a participação da banda joseense MorFolk, que abriu o show com muita porradaria, agito e headbangs no Hocus Pocus, casa de shows de metal da região. Com um setlist reduzido, a banda mostrou a que veio e aproveitou todo o seu tempo com músicas brutais que fizeram um excelente aquecimento para oresto do show, abusando de solos de guitarra e baterias destruidoras. O único problema foi o som que, se estivesse melhor equalizado, poderia ter mostrado muito melhor o trabalho da banda.
Logo em seguida sobem ao palco os rapazes do After Death. Como todos são muito jovens, o público não confiava muito na capacidade deles até os primeiros acordes soarem. Sejamos realistas: os caras surpreenderam a todos, tanto musicalmente quanto com sua performance de palco! Com um som limpo, pegadas fortes de guitarra e baixo, ritmo bem marcado pela base de Leon Villalba e uma bateria bem colocada, a banda dividiu bem os vocais entre os screams do vocal principal, Ken Do, e as entradas vocais do baterista Barry O’Connor, elementos que davam ao som da banda a característica que os fez serem rotulados “deathcore”. As músicas que mais levantaram o público foram Beyond Suffering e Spawned, cheias de screams muito bem executados por Ken Do. Destaque merecido para o guitarrista solo, Marc Yacas, que destruiu a guitarra, e para o baixista Tim Kennelly, que tocou muito e animou a galera bangueando o show inteiro.
Cinco minutos depois, foi a vez dos gaúchos da Predator assumirem o comando do Hocus Pocus, mostrando que o Brasil tem, sim, bandas de death metal de qualidade! Variando o setlist entre seus álbuns Homo Infimus (2007) e Earthquake (2009), o guitarrista Jenner Milani e o baixista Luciano Holfmann comandaram várias “rodas punk” com direito a reunir os integrantes das outras bandas à platéia. Os caras detonaram especialmente nas faixas Hate In Your Heart, Homo Infimus e o cover do Sepultura, Troops of Doom, muito bem executado por sinal. Apesar de problemas técnicos no meio do show, os gaúchos foram muito aplaudidos, inclusive com parte do público gritando “Predator” durante o show do Master! Destaque para o detonador de baterias, Roberto Cecatto, que mandou benzão e impressionou muitos dos presentes em todas as músicas!
Por fim, a banda mais esperada da noite sobe ao palco de São José dos Campos: o trio meio americano e meio tcheco Master! Liderado por Paul Speckmann, um “tiozão” de 46 anos que cultiva uma barba enorme, o grupo levantou a platéia de verdade. Não sobrou uma pessoa sequer parada na pista graças ao carisma de Speckmann, que conversava muito com o público entre uma música e outra. Não tem como destacar uma música em especial, todas foram extremamente competentes em matéria de qualidade e poder! A bateria e a guitarra também foram incríveis, passando como um rolo compressor pela cidade e deixando todos os fãs de metal presentes esgotados de tanto bater cabeça. Ao fim do show, todos saíram felizes com a bela celebração ao death metal que a Death Toll Records proporcionou.
Infelizmente, os recentes acontecimentos nos deixaram tristes e comovidas. Exatamente uma semana após o show em São José dos Campos, dois membros da banda After Death vieram a falecer devido a afogamentos em uma praia de Aracaju, no Sergipe: Timothy Kennelly (18), baixista, e Leon Villalbas (21), guitarrista. Eu, pessoalmente, conversei com os membros da banda e devo dizer que foi uma grande perda para o death metal, pois ambos eram extremamente talentosos e amigáveis, pessoas muito serenas e que quebravam tudo em cima do palco apesar do pouco tempo de estrada. Aqui ficam as nossas condolências às famílias dos dois jovens, aos membros da banda e à gravadora Death Toll Records.
Agradecimentos à organização, Roberto Ceccato e todos que compartilharam desta noite.
- Fernanda Barone














